Wednesday, May 25, 2005

Free MAMADU

MAMADU não era português, não sabia uma palavra de Português, nem sequer sabia onde no mundo ficava Portugal, desconhecia por completo as nossas tradições e rituais, era pois, da Baixa da Banheira!
Trabalhador. Esforçado. Responsável. Atento.
Eram estas as qualidades que todos os outros traficantes, burlões, larápios, violadores, enfim, todos os seus amigos lhe imputavam.
"O Mamadu já me salvou e à minha família de grandes males" grita Bujumbura Lopes em pleno tribunal. TAC TAC TAC ouve-se do pulpito do juiz de intrução criminal, que vestido a rigor de sevilhana praticava um passinho de dança ao som da dentadura do mais antigo escrivão do sistema judicial português que sofria de Parkinson(há quem diga que trabalhou directamente com o Paulo Portas, e que já nessa altura batia castanholas e o "paulinho" batia palminhas e abanava a anca ao ritmo).
"Deixem o Mamadu Jogar" gritou um jovem vestido da cabeça ao pés de vermelho, que enganado entrou no tribunal por ter confundido a claque com a maralha que entrava aos tropeções na sala, reparando rápidamente nos olhares espantados e furiosos da família de Mamadu, levantou-se e mudou para o outro lado da sala de tribunal pensando "sou mesmo estúpido fui-me sentar na claque adversária".
O julgamento ia correndo devagar, devagarinho e o semblante de Mamadu ia descaindo(como uma máscara de cera na praia) à medida que o rol de acusações se empilhava no pulpito do juiz.
Como que num jogo de futebol o advogado de defesa de Mamadu ao passar pelo advogado de acusação, deixa a perna direita para trás e estatela-se no chão com os braços esticados para o ar.
"Pénalti" "É Penalti shôr arbitro" "É escandaloso", ouviu-se pela sala onde a assistência levantada de seus lugares gesticulavam, apontando para o advogado no chão a rebolar de um lado para o outro agarrado à perna esquerda. O juiz apanhado de surpresa(de combinação) sem saber o que fazer levantou-se com o martelinho na mão e olhou de relance para o juri para saber se havia fora de jogo, e marcou penalti.
Os ânimos exaltaram-se e o advogado de acusação com as mãos atrás das costas encostou a testa à do juiz e no meio da confusão alguém atingiu o juiz no estômago.
Quando a poeira assentou, Svetlana guguerich, emigrante de leste aspirou o chão, e Mamadu tinha desaparecido.

Nasce BOLINHAS!

Era uma vez um bairro de lata na damaia repleto de belas e típicas barraquinhas...foi neste ambiente familiar e livre que BOLINHAS nasceu, mais própriamente entre o café PIPI (antro típico de todos os traficantes de armas e drogas da linha de Sintra) e a barraca do patriarca da família mais antiga do bairro, o sr. DOISPÃO ( que embora tivesse 31 filhos e sobrinhos, sempre que assaltava o maxi-grula lá da zona berrava a plenos pulmões "Eu quérro dois pão").
O pai de bolinhas era um homem trabalhador e sério, saía de casa às 03:30 e voltava sempre ás 03:32 com os bolsos cheios de notas dobradas em quatro e com um cheiro que fazia lembrar a Serra Leoa em mil nove sessenta e sete (qual era a sua profissão ninguém sabia, nem os filhos, nem dona Matumba Silva (sua dama).
A casa de BOLINHAS era invejada por todos os excelsos habitantes do bairro, e havia razões para isso, era a melhor e maior barraca no alto da colina foi a primeira barraca a estar equipada com cabo (de aço) e tinha vista para as silvas.